segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Oscar Urruty, o goleiro Uruguaio de Durazno, Tri Campeão pelo Pelotas

Oscar Urruty sempre foi afiado em suas palavras e atitudes. Essa mania de dizer o que pensa o acompanha desde os tempos do futebol. Jogava no time dos rebeldes, dos que incomodavam. Não era de dar bola para a cartolagem. Ao contrário dos colegas de profissão - até hoje reconhecidos pelo deslumbramento e pela absoluta incapacidade de se politizar - Urruty lutava pelos seus direitos.



Um comportamento que lhe trazia problemas: "Me incomodei muito, principalmente em relação a salários". Ele não admitia chegar ao fim do mês e encontrar a tesouraria do clube fechada. "Se eu arriscava minha cabeça na chuteira dos adversários, por que iria ficar calado quando não me pagavam?", raciocina. Chegou a ser um dos fundadores do extinto Sindicato dos Jogadores Profissionais de Pelotas, com apoio jurídico do advogado Ápio Cláudio de Lima Antunes.

Vitorioso

Mas esse é só uma faceta da carreira de Oscar Urruty. Tudo começou no Wanders, de Montevidéu. Pouco tempo depois se transferiu para o Guarany de Bagé, então com 18 anos; um ano depois, em 1955, estava no antigo Estádio dos Eucaliptos, em Porto Alegre, para defender o Internacional; em 1956 alçou vôos mais altos: foi defender a Sociedade Esportiva Palmeiras, em São Paulo. Mas lá não teve muita sorte. Lesionou-se, precisou se afastar e ficou muito tempo parado. Ainda em 1956, indicado por Paulo de Souza Lobo, o Galego, veio parar no Esporte Clube Pelotas. Aí fez história: foi o goleiro do tricampeonato da cidade, em 1956, 1957 e 1958 (ano do cinqüentenário do clube); em 1957 foi Campeão da Copa dos Campeões. Só saiu da Avenida em 1962, quando se transferiu para o Farroupilha. Passou ainda pelo São Paulo de Rio Grande e pelo Caxias.

Outra, esta fora de campo: na mesma época, criticou a Federação Gaúcha de Futebol pela maneira como estava sendo conduzido o torneio. O então presidente da FGF, o autoritário Rubens Hoffmeister (já falecido), não gostou e exigiu "retratação". Sem problemas: Urruty, de pronto, mandou-lhe uma foto 3x4 com dedicatória. A tal retratação reivindicada pelo cartola, é claro, não foi aceita.

Fora de Campo

“O jogador pode fazer suas farrinhas. Não influi nada no procedimento. Eu sempre bebi. Na sua melhor fase, o Pelotas tinha 8 ou 10 que eram da boêmia”. E confessou: “Eu era tricampeão pelo Pelotas e tinha jogado 11 vezes com o joelho infiltrado, debaixo de agulha. Joguei infiltrado todo o primeiro turno de 1961”.

Foto da partida entre Pelotas e Flamengo-RJ em 1960,
Oscar com o companheiro de posição, Mauro.

Matéria de Roberto Ribeiro - DP

2 comentários:

  1. Naquela época, eu era gurí e ía à Boca do Lobo para ver o Pelotas e principalmente as voadoras do Oscar. Meu sonho era crescer e ser goleiro para fazer o que o Oscar fazia. Êle era meu ídolo.

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  2. Muito legal essas histórias Osório. Grandes recordações! Abração

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